publication . Master thesis . 2021

As perspetivas dos idosos sobre a COVID-19 e os impactos que esta doença provocou nos seus quotidianos

Carvalho, Beatriz Abrantes;
Open Access Portuguese
  • Published: 11 Oct 2021
  • Country: Portugal
Abstract
Tem se assistido ao aumento acentuado da população idosa por toda a Europa e Portugal não é exceção. Os idosos estão sujeitos a uma diversidade de riscos devido à exclusão da rede produtiva e a situações de pobreza; a perdas e ruturas das redes sociais, que conduzem ao isolamento, à doença crónica, à invalidez, à dependência, à incapacidade física e mental, as quais se traduzem na necessidade de cuidados. A estes riscos soma-se a COVID-19 e a pandemia dela decorrente. Apesar do coronavírus afetar todos os segmentos da população, é no grupo dos mais velhos que após contração da COVID-19 se verificam quadros clínicos mais grave, maiores taxas de hospitalização e maiores taxas de mortalidade, quando comparados ao resto da população, o que levou a que os idosos fossem classificados como “grupos de risco”. No entanto, risco, saúde e doença são construções sociais e como tal possuem uma componente social, cultural e subjetiva. Tal facto quer dizer que a maneira como o conhecimento biomédico e o conhecimento leigo constroem os riscos, a COVID-19 e a pandemia diferem entre si, consequentemente os significados que os leigos, como é o caso de grupo dos idosos, dão a esta doença e à pandemia é diferente do significado que o complexo biomédico lhe atribui. Ora se esses significados diferem entre si também as perceções dos riscos, os posicionamentos face aos riscos e os comportamentos que são tomados em relação à doença serão diferentes. É neste sentido que se torna importante olhar além da definição biomédica da pandemia COVID-19 e estudar a pandemia como um fenómeno social e olhando para as construções sociais em torno desta doença, como tal a presente investigação visa analisar as perceções dos idosos em relação à COVID-19 e aos impactos sociais que esta nova doença teve nas suas vidas quotidianas e na sua autoimagem. Procedeu-se a uma revisão de literatura com particular enfoque na análise sociológica dos seguintes temas: envelhecimento demográfico e os aspetos que levam à desigualdade e exclusão social da população com mais de 65 anos; a pandemia COVID-19 os seus contornos, medidas e impactos sociais na população idosa; e risco nas sociedades contemporâneas, a forma como este se relaciona com o conhecimento biomédico e o conhecimento leigo e de que modo estes se relacionam e influenciam as visões de saúde, doença e os comportamentos de risco. Uma vez que se pretendeu analisar a forma como os idosos constroem a COVID-19, e os seus pontos de vista quanto ao impacto desta doença sobre si mesmos e na vida quotidiano, dando voz e analisando as suas perspetivas enquanto indivíduos ativos na construção da realidade através da atribuição de significados ao social adotou-se um enfoque metodológico de âmbito qualitativo, tendo sido realizadas 18 entrevistas semiestruturadas individuais e uma de casal a 10 idosos/as institucionalizados/as e 10 idosos/as nas suas residências. No que diz respeito aos principais resultados obtidos com a investigação, destacamos: a forma como os indivíduos constroem a COVID-19 e os significados que lhe atribuem surgem da interação entre as influências dos especialistas, as influências sociais e culturais, as suas observações e experiências pessoais e coletivas, a reflexividade dos indivíduos através da sua própria interpretação e da gestão da informação, assim como da inter-relação de diferentes formas de conhecimento e de saber interrelacionados, como o natural, o mágico-religioso, o sociopolítico, entre outras formas de conhecimento; a construção que os idosos fazem da COVID-19 influencia as perceções que estes têm do risco, a forma como estes se posicionam face ao risco, a adesão (ou não) às medidas de proteção e a adoção (ou não) de comportamentos de risco, no entanto, esse não é o único fator estes aspetos depende também das experiências de cada um, da análise que os indivíduos fazem do contexto em que se encontram e das crenças mágicoreligiosas e ideologias políticas de cada um; os idosos entrevistados desenham o risco como algo continnum e universal; e os estilos de vida que os idosos levam poderão ampliar ou minimizar os impactos provocados pela COVID-19, nesta investigação verificou-se que as, tipicamente criticadas, características das instituições totais contribuíram para a manutenção de uma certa segurança face à incerteza vivida no “mundo lá fora”, assolado por uma crise pandémica geradora de perturbações sociais e pessoais. There has been a sharp increase in the elderly population throughout Europe and Portugal is no exception. The old people are subject to a variety of risks due to exclusion from the productive network and situations of poverty; to the loss and disruptions in social networks, leading to isolation, chronic illness, disability, dependence, physical and mental disability, which translate into the need for care. Added to these risks is COVID19 and the resulting pandemic. Although coronavirus affects all segments of the population, it is in the older group that after contracting COVID-19 there are more severe clinical conditions, higher hospitalization rates and higher mortality rates, compared to the rest of the population, which has led to the elderly being classified as “risk group”. However, risk, health and disease are social constructions and as such have a social, cultural and subjective component. This fact means that the way biomedical knowledge and lay knowledge construct the risks, the COVID-19 and the pandemic differ from each other, consequently the meanings that lay people, as is the case of the elderly group, give to this disease and to the pandemic is different from the meaning that the biomedical complex attributes to it. Now, if these meanings differ among themselves, so will the perceptions of risks, the taken in the face of risk and the behaviors that are taken in relation to the disease. It is in this sense that it becomes important to look beyond the biomedical definition of the pandemic COVID-19 and study a pandemic as a social phenomenon and looking at the social constructions around this disease, such as the present research aims to analyze the perceptions of the elderly in relation to COVID-19 and the social impacts that this new disease had on their daily lives and self-image. A literature review was conducted with particular focus on the sociological analysis of the following topics: demographic aging and the aspects that lead to inequality and social exclusion of the population over 65; the COVID-19 pandemic, its contours, measures, and social impacts on the elderly population; and risk in contemporary societies, how it relates to biomedical knowledge and lay knowledge, and how these relate to and influence different points of view about health, disease and risk behaviors. Since we intended to analyze how the elderly construct COVID-19 and their views on the impact of this disease on themselves and their daily lives, giving voice and analyzing their perspectives as active individuals in the construction of reality through the attribution of meanings to the social, we adopted a methodological approach of qualitative scope, having carried out 18 individual semi-structured interviews and one couple interview. The sample consisted of 10 institutionalized elderly people and 10 elderly individuals in their homes. Regarding the main results obtained from the research, we highlight: the way individuals construct COVID-19 and the meanings they attach to it arise from the interaction between experts' influences, social and cultural influences, their personal and collective observations and experiences, individuals’ reflexivity through their own interpretation and management of information, as well as from the interrelationship of different interrelated forms of knowledge and knowing, such as the natural, the magical-religious, the sociopolitical, among other forms of knowledge; the construction that older people make of COVID-19 influences their perceptions of risk, the way they position themselves in the face of risk, the adherence (or not) to protective measures and the adoption (or not) of risk behaviors, however, this is not the only factor, these aspects also depend on the experiences of each one, the analysis that individuals make of the context in which they find themselves, and the magical-religious beliefs and political positions of each one; the elderly interviewed draw risk as something continnum and universal; and the lifestyles that the elderly lead may amplify or minimize the impacts caused by COVID19, and was found in this research that the typically criticized characteristics of total institutions contribute to the maintenance of a certain security in face of the uncertainty experienced in the "outside world", devastated by a pandemic crisis that generated social and personal unrest.
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Subjects
free text keywords: Conhecimento Biomédico, Conhecimento Leigo, Construção Social, Covid-19, Envelhecimento, Grupo de Risco, Idoso, Risco, :Ciências Sociais::Sociologia::Exclusões e Políticas Sociais [Domínio/Área Científica], Conhecimento Biomédico, Conhecimento Leigo, Construção Social, Covid-19, Envelhecimento, Grupo de Risco, Idoso, Risco, Domínio/Área Científica::Ciências Sociais::Sociologia::Exclusões e Políticas Sociais
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